Conheça qual os alvos da CPI do caso Carlinhos Cachoeira, como iniciou as investigações e o que já foi descoberto sobre as ligações do bicheiro com políticos, crime organizado, desvio de verbas públicas e tráfego de influência.

Caso Carlinhos Cachoeira

Conheça qual os alvos da CPI do caso Carlinhos Cachoeira, como iniciou as investigações e o que já foi descoberto sobre as ligações do bicheiro com políticos, crime organizado, desvio de verbas públicas e tráfego de influência.



Desde fevereiro desse ano que um assunto vem se tornando muito mostrado e comentado em sites e noticiários, o Caso Carlinhos Cachoeira. O empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, mais conhecido por Carlinhos Cachoeira, é acusado de diversos crimes, como envolvimento com jogo do bicho, corrupção política e crime organizado.

A investigação começou depois que a Polícia Federal prendeu em fevereiro, Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar a exploração de jogos ilegais em Goiás.


Logo foram divulgadas gravações onde o bicheiro oferece propina para os deputados Rubens Otoni (PT-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Jovair Arantes (GO), para que ajudassem na legalização de jogos de azar e facilitassem a concorrência em licitações públicas. Logo depois entre o nome do então amigo e senador Demóstenes Torres, onde gravações revelam propina, tráfico de influência e favorecimento em licitações.

As investigações continuaram e foram descobertas atuações de Demóstenes em órgãos públicos como a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), tudo para tentar beneficiar empresas na qual Carlinhos Cachoeira tem ligação.



O deputado federal Stepan Nercessian (PPS-RJ) admitiu ter recebido R$ 175 mil de Cachoeira. Segundo o deputado, os valores seriam de um empréstimo que serviriam para a compra de um apartamento. Logo após o deputado pediu licença de seu partido e dos cargos em comissões na Câmara.

Foram descobertas também ligações do grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira com a construtora Delta, empresa bastante atuante em licitações públicas estaduais e federais.

Gravações mostraram também ligação do bicheiro com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), onde reclamava da concorrência em licitações e negociava formas de facilitar seus interesses. Além de ligações com o governador Agnelo Queiroz, que denunciam superfaturamento por parte de licitações de empresas ligadas ao contraventor.


Gravações realizadas pela Polícia Federal mostram também o ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), falando de uma lista de pessoas indicadas por Carlinhos Cachoeira para assumir cargos no governo de Goiás.

O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), aliado do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recebeu R$ 100 mil em dinheiro. Foi descoberto também que Carlos Alberto e o senador Demóstenes Torres, usavam telefones da marca Nextel (contato de rádio) cedido por Cachoeira e habilitado nos Estados Unidos, para tentar dificultar grampos em comunicações do grupo.

Depois de descobertas todas essas ligações de Carlinhos Cachoeira com deputados, senadores, governadores e instituições públicos, foi decidido então a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), líderes de vários partidos apresentaram um requerimento para a criação. Foram 330 assinaturas de deputados e 67 de senadores pela investigação parlamentar.

Novas gravações revelam que Demóstenes era uma espécie de “sócio oculto” da Delta, intermediou um projeto de R$ 8 milhões em Anápolis (GO) em favor da Delta Construções.

São muitos os políticos ligados aos esquemas de Carlinhos Cachoeira, a investigação quer descobrir quem são os políticos e pessoas envolvidas, onde e como foram realizados os desvios de dinheiro público.

Para isso estão sendo decretadas quebras de sigilos bancários de diversos nomes ligados ao caso, para investigar transferência suspeita de valores. E estão sendo chamados também diversas pessoas ligados ao caso para depoimentos na CPI.